RITUAIS E SUPERSTIÇÕES

RITUAIS E SUPERSTIÇÕES

RITUAIS E SUPERSTIÇÕES

Ano novo, a quanto obrigas!

Alvíssaras para quem conseguir cumprir as tradições todas em simultâneo na passagem de ano: comer 12 passas em 12 badaladas, pedir 12 desejos, subir para uma cadeira, descer com o pé direito, ter uma nota na mão e ainda segurar o flute de espumante. O maior concentrado de ações é comum a quase todas as regiões do país, sobretudo nas grandes cidades, longe das tradições específicas das zonas rurais. Quase todas têm como objetivo a conquista da sorte, do amor e do dinheiro ou apenas de um ano melhor. Os rituais de superstição na passagem de ano são diversos. Os que acreditam, ainda mais.

Barulho para afastar maus olhados

Fazer barulho na passagem de ano já terá origens anteriores ao Império Romano, quando, por exemplo, faziam a algazarra em dia de eclipse, para afastar o perigo de o sol não voltar. Fazer barulho, buzinar, apitar, gritar não é tradição exclusiva da europa, mas do mundo, pois é entendido como um ato purificador que serve para afastar os maus espíritos e energias.

12 Passas para sorte

As explicações são diversas, mas quase todas relacionadas com o calendário solar ou lunar. Por um lado, no calendário solar a relação com os 12 meses do ano é direta. No calendário lunar, com menos 12 dias, no último mês acertavam-se as diferenças e as 12 passas simbolizam esses dias. Em rituais antigos, as passas eram o substituto do vinho, uma referência indireta a Cristo. No fundo, comer as 12 passas na passagem de ano apela aos 12 meses de sorte do novo ano.

 

Dinheiro na mão traz riqueza

No séc. XIX que terá surgido a primeira ideia de ter moedas na mão como sinal de boa sorte. Ao que parece, a ideia partiu da tradição do dia do cuco: em março, o primeiro que avistasse um cuco, ave migratória, e encontrasse dinheiro no bolso iria ter um ano de riqueza. A tradiçao terá sido expandida à noite de passagem de ano.

 

Ano novo, roupa nova

Nada como deixar no ano velho tudo o que está pendente e dar início a uma fase de renovação, e a roupa é uma forma prática e fácil de assinalar a mudança. Na passagem de ano, há que vestir cuecas azuis para sorte, roupa castanha para sucesso profissional, vermelho para sorte no amor, branco para quem procura paz e amarelo para resolver problemas financeiros. Nada como tentar!

 

Saltar de uma cadeira com o pé direito

A origem desta tradição de passagem de ano pode estar na ideia da subida ou ascenção para uma nova etapa melhor. O descer, saltando com o pé direito é sinónimo de sorte, como a expressão o indica: “entra com o pé direito”. Acredita-se que a forma como se entra num novo ano influencia os restantes 364 dias do mesmo.

 

Roupa velha dá azar

Para ter mais sorte e começar o ano pela postiva, não passar o ano de bolsos vazios, não vestir roupa descosida, rasgada, apertada ou sem os botões. E viva um grande reveillon!

 

Casa limpa para um ano melhor

Não só a roupa que se veste mas também a casa merece um ritual específico para assinalar a passagem de ano. Limpá-la e arrumá-la, despejar o lixo e trocar as lâmpadas fundidas são passos essenciais para se ter um ano com melhores energias.

 

Romãs e Louro para mais dinheiro

Novamente o dinheiro. O princípio é que se deve roer sete sementes de romã na noite da passagem de ano, embrulhá-las num guardanapo e guardá-las na carteira. Em alternativa pode colocar uma folha de louro na carteira e deixa-a lá o ano inteiro.

 

Coisas velhas pela janela: sorte ou azar…

Deixar o que é velho para trás ainda é sinónimo, para alguns, de atirar coisas velhas pela janela, um acto simbólico de renovação em cada passagem de ano. Há muitos anos que a tradição se repetia, por exemplo, em Lisboa, e na manhã seguinte de tudo se podia encontrar nas ruas da capital: dos pratos partidos aos tachos, das roupas aos mais estranhos objetos. Para evitar estragos e poluição, o melhor é ficar pelos confetis.

 

Mergulhar no mar para um novo ciclo

Por esse litoral fora, continua a haver centenas de corajosos a mergulhar nas frias e agitadas águas de janeiro do mar português. No cerne desta tradição de passagem de ano está a prova de força vigor, saúde, persistência e motivação interior, e que a prova da chegada a mais um ano foi superada. As ondas têm um movimento circular que simboliza o ciclo da vida e do ano. A diversão é certamente bem fresca.